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O verme que revela a Paixão

O Salmo 22 na boca do Crucificado

Inseto carmesim

“E, perto da hora nona, Jesus clamou, dizendo: Eli, Eli, lama sabactâni; isto é, meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”


Este clamor de Jesus na Cruz, registado tanto em São Marcos (15,34) como em São Mateus (27,46), é, por vezes, fonte de incompreensão entre os fiéis. Ele exprime o momento de maior sofrimento físico e espiritual de Cristo. Mas, mais do que isso, Jesus evoca o início do Salmo 22, cujas palavras proféticas Ele mesmo estava a cumprir naquele preciso momento.


Nesse salmo, encontramos uma descrição impressionante da Sua Paixão dolorosa, escrita séculos antes da Encarnação do Verbo — tão precisa que os próprios ouvintes parecem querer distorcer o seu sentido, dizendo: “ele chama por Elias. E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e, pondo-a numa cana, deu-lhe de beber” (Mt 27,48), como para O calar.


A leitura integral deste salmo será proveitosa para uma meditação. Mas há uma imagem profética neste salmo que passa muitas vezes desapercebida.


“Eu sou um verme, e não um homem. Opróbrio dos homens e desprezado do povo.” (Sl 22, 6)


O termo “verme” (tola’ath, em hebraico) não designa um verme qualquer, mas um inseto carmesim do Oriente Médio, historicamente utilizado para produzir um corante escarlate intenso. Este corante era tão valioso que era empregado no tabernáculo e nas vestes sacerdotais de Israel.


O mais extraordinário, porém, é o seu ciclo de vida, que se apresenta como uma verdadeira parábola da Paixão de Cristo.


Quando chega o momento de pôr os ovos, a fêmea do verme carmesim sobe a uma árvore ou a um pedaço de madeira e fixa-se a ele de forma permanente. Nesse processo, produz uma secreção escarlate que tinge tanto a madeira quanto os pequenos vermes. A mãe morre, sacrificando-se para que o seu próprio corpo sirva de alimento e proteção aos filhos. Cerca de três dias depois, a crosta vermelha torna-se branca como a neve e liberta os pequenos vermes.


É impossível não reconhecer os paralelos com a crucificação: assim como o verme carmesim se fixa à madeira, Cristo foi pregado no madeiro da Cruz, deixando-nos o Seu Corpo em alimento no Memorial da Sua Paixão, a Santa Missa.


E tal como a mancha vermelha se torna branca, também o Sangue de Cristo nos purifica do pecado, como proclama o profeta Isaías: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve.” (Is 1,18)


Essa é a beleza da inspiração divina das Escrituras. A Cruz não foi um acidente, mas parte do desígnio eterno de Deus. Ao longo de toda a história da salvação, e até mesmo na própria criação, Deus deixou vestígios que apontam para a Redenção. Aquele ser que parecia insignificante torna-se sinal do sacrifício supremo. E Aquele que fora rejeitado pelos homens que veio salvar, torna-se fonte de salvação e penhor de vida eterna.

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