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A Igreja, Casa de Deus – Da entrada ao sacrário

Da água benta ao altar, um caminho de preparação para o encontro com Deus

Quer tenhamos descoberto a liturgia tradicional há pouco tempo, quer sejamos fiéis de longa data, esperamos que esta série de artigos nos ajude a compreender melhor o sentido dos ritos e das orações da Missa Tradicional. Queremos saborear melhor o inefável mistério da Santa Missa!


E porque cremos que a liturgia é o melhor catecismo, decidimos não nos lançar em grandes explicações teológicas abstractas, mas optámos por seguir convosco, passo-a-passo, uma Missa para nos deixarmos instruir pelos gestos do sacerdote e da assembleia, pelos textos e pelas cerimónias comentando cada um desses gestos e palavras. A própria liturgia mostra-nos aquilo que é a sua essência: um verdadeiro culto prestado a Deus, a oblação de um sacrifício agradável no qual Deus se torna presente e Se une a nós para nos santificar.


Comecemos por falar da Igreja. «Esta é a casa de Deus; esta é a porta do céu», exclamou o patriarca Jacob depois de ter contemplado em sonhos a escada do paraíso. A igreja é essa casa de Deus sobre a terra; é, para nós, a porta do céu. Desde as casas discretamente transformadas pelos primeiros cristãos em lugares de reunião e de culto, até aos grandes edifícios actuais, as igrejas organizaram-se segundo um plano imutável, na maioria dos casos em forma de cruz, recordando nos próprios alicerces o fim de toda a igreja: ser o lugar da celebração da Missa, a renovação do sacrifício de Cristo.


À entrada da igreja encontra-se a pia da água benta. A água que lá está é água benta misturada com sal exorcizado, segundo um rito que remonta ao século III. O sal era usado já no Antigo Testamento para purificar a água estagnada e preservar os alimentos da corrupção: representa a protecção contra as tentações e o pecado, ao passo que a água significa a purificação do coração. Ao entrarmos na igreja, persignamo-nos com esta água; e este gesto, feito com fé e contrição, obtém o perdão das nossas faltas leves.


A parte principal da igreja, aquela onde tomam lugar os fiéis, chama-se a nave, em referência ao navio, à barca de São Pedro, a Igreja que navega rumo à vida eterna. Está separada de um lugar mais sagrado, o coro ou santuário, onde se cumprem as cerimónias do culto, reservado aos sacerdotes e aos que os assistem. Entre estes dois espaços encontra-se a balaustrada da comunhão, separação sagrada entre a nave e o coro, mas também lugar de comunhão entre Deus e os homens, pois é ali que os fiéis receberão a Eucaristia.


No centro do santuário ergue-se o altar, o lugar onde será renovado o sacrifício de Cristo. No seu centro entroniza-se o sacrário (ou tabernáculo). Tabernaculum é uma palavra que significa tenda, em referência à tenda da Arca da Aliança, onde residia a presença de Deus — a Shekinah — durante o Êxodo dos Hebreus no deserto. É o elemento mais sagrado da igreja, pois contém a reserva eucarística, a presença real do corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo sob as aparências do pão.


Esta presença de Deus é tradicionalmente indicada por um tecido/véu que cobre o sacrário - o pavilhão. A finalidade deste véu é, ao mesmo tempo, ocultar a presença real em sinal de respeito sagrado e evocar os panos da tenda do encontro do Antigo Testamento, que estão na origem do véu do templo que cobria o Santo dos Santos. A presença de uma vela/luz acesa, muitas vezes vermelha, chamada lâmpada do santíssimo, indica também a presença real.

 

Para adorar a Deus presente, fazemos a genuflexão. Dobramos até ao chão o joelho direito em sinal de respeito; o corpo inteiro se abaixa diante de Deus. Reconhecemos assim que Ele é maior do que nós e que Lhe devemos homenagem. Este gesto antigo recorda ao mesmo tempo a prostração do Antigo Testamento e o gesto de vassalagem dos cavaleiros.


No próximo artigo, abordaremos o significado do altar, assim como dos objetos utilizados para a Santa Missa.


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