Assistir à Missa em família
Um guia prático para as famílias

Com os mais pequenos
O desafio da oração em família renova-se de modo particular quando a família participa unida na Santa Missa. Apresentamos alguns conselhos que podem ajudar a que o encontro dominical com o Senhor não se torne excessivamente penoso, mas seja, pelo contrário, fonte abundante de frutos espirituais.
É importante levar os filhos à Missa desde a mais tenra idade. Tal como os outros actos de oração — dos quais a Santa Missa é o mais elevado —, a participação nela deve tornar-se algo natural na vida da criança.
A atitude dos pais diante da Missa exerce uma influência profunda nos filhos desde muito cedo. Fazer tudo para chegar a horas, preparar as crianças com cuidado, rezar durante o caminho, apresentar-se com dignidade e recolhimento: todos estes sinais contribuem para formar o coração cristão. Os pais devem amar verdadeiramente a Missa, se desejam transmitir esse amor aos seus filhos.
Na igreja, não hesitem em aproximar-se do presbitério, para que as crianças possam ver, ouvir e sentir melhor o que ali se realiza. A liturgia fala também aos sentidos, e as crianças são sensíveis a essa linguagem desde muito cedo, ainda que de modo diferente do dos adultos. Muitos pais hesitam entre permanecer perto da saída ou ocupar lugares mais à frente, receando ter de sair caso a criança se agite. Sempre que possível, porém, é preferível ocupar os primeiros bancos, mesmo que, por vezes, a criança se faça ouvir e junte a sua voz à assembleia.
Para ajudar os mais pequenos a permanecer tranquilos, pode ser útil levar um bom livro ilustrado de temática religiosa (atractivo, mas discreto), bem como um pequeno lanche que os ajude a suportar melhor a duração da Missa cantada. Em certos momentos, pode também ser necessário permitir que a criança se mova um pouco ou dê um pequeno passeio, com serenidade.
Os pais não devem sentir-se constrangidos se o seu filho perturbar momentaneamente o silêncio da igreja. É sempre motivo de alegria ver famílias com crianças na casa de Deus; uma assembleia cheia de jovens cristãos é sinal de esperança e de vida para a Igreja de amanhã.
Se, por necessidade, tiver de permanecer fora durante uma parte da Missa, procure ainda assim participar tanto quanto possível: escutando as leituras e o sermão, respondendo às orações, cantando com a assembleia. Mesmo limitada pelas circunstâncias, essa participação permanece real e pode ser espiritualmente muito meritória.
Será igualmente proveitoso visitar a igreja com as crianças durante a semana, de tempos a tempos. Essas visitas mais tranquilas permitem habituá-las ao lugar sagrado e introduzi-las com serenidade na oração comum: acender uma vela, contemplar as imagens dos santos, observar os vitrais — tudo isso pode tornar-se ocasião de despertar o sentido do sagrado.
Acima de tudo, é essencial rezar. Tal como na oração da manhã e da noite, a atitude interior e exterior dos pais terá sempre a influência mais profunda nos filhos, qualquer que seja o comportamento destes durante a Missa.
Pode também ser muito proveitoso que os pais procurem, por vezes, participar na Missa apenas como casal — por exemplo durante a semana, deixando os filhos aos cuidados dos avós ou de familiares — ou mesmo individualmente, a fim de aprofundarem a sua vida litúrgica com maior recolhimento.
Quando crescem: jovens e adolescentes
Desde cedo, convém recorrer aos bons meios disponíveis para ajudar as crianças a acompanhar a Missa: livros litúrgicos para colorir, missais adaptados à sua idade e pequenas explicações discretamente dadas pelos pais sobre o que se passa no altar ou sobre os elementos que observam na igreja.
À medida que as crianças crescem, importa introduzi-las progressivamente num amor mais consciente pela Santa Missa, associando-as a pequenos actos de generosidade. A participação numa Missa durante a semana com o pai ou com a mãe pode deixar uma marca profunda e tornar-se um ponto de referência significativo na sua vida espiritual.
Convém igualmente encorajar os rapazes a servir à Missa, e até, se possível, servi-la juntamente com eles. Grandes figuras da vida pública, como São Tomás More, chanceler do rei de Inglaterra, ou Eamon de Valera, presidente da Irlanda durante catorze anos, não hesitaram em ajoelhar-se humildemente aos pés do altar.
As crianças mais velhas são também sensíveis à beleza da liturgia, ao recolhimento do ambiente sagrado e à qualidade dos cânticos. Esses elementos podem e devem ser tidos em consideração na escolha da Missa dominical.
Acima de tudo, é necessário confiar nos jovens. Sem impor, mas oferecendo oportunidades, pode permitir-se que desenvolvam os seus talentos ao serviço da comunidade: no coro, no serviço do altar, no cuidado das crianças mais pequenas, na preparação das flores ou mesmo na limpeza periódica da igreja. Assim aprenderão que a casa de Deus é também a sua casa, e que cada fiel tem o seu lugar na vida da Igreja.