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Em socorro dos fiéis defuntos

A Santa Missa: o maior sufrágio pelos defuntos

Hoje é dia de Fieis defuntos, ou dia de Finados como se diz popularmente. O mês de Novembro é muito propícios à caridade para com as almas que, ainda em necessidade de purificação, vêm-se carentes do nosso auxílio no Purgatório.


O purgatório é, segundo a Fé Católica, o estado dos que morreram na amizade de Deus, mas, embora seguros da sua salvação eterna, precisam ainda de purificação para entrar na Felicidade Eterna.


Três considerações poderão incutir em nós um sentimento de urgência em prestar socorro a essas almas:


Em primeiro lugar, consideremos o sofrimento das almas do purgatório. Sabendo o quanto Deus nos ama, estas almas sofrem de uma enorme contrição, um remorso salutar por não ter correspondido a 100% à graça divina. É aqui que está a essência do fogo do purgatório. São Tomás de Aquino ensina que “Quanto mais a pessoa anseia por uma coisa, mais dolorosa é a privação de a ter. E porque depois desta vida, o desejo de Deus, o Sumo Bem, é intenso nas almas dos justos, a alma sofre enormemente com a demora”.


Um segundo motivo a considerar é o facto de que não devemos assumir o destino final de nenhuma alma. De nada vale rezar pelas almas condenadas ao inferno, porque são obstinadas. E de nada vale rezar pelas almas que já estiverem no Céu, porque já gozam da Felicidade Eterna. Mas muitos podem ser os nossos entes queridos em necessidade no Purgatório e assumirmos a sua salvação seria um grande prejuízo pala eles. Pelo sim pelo não, se realmente os amamos, precisamos socorre-los nesta hora. Se soubéssemos por quantas penas podem estar a passar, não nos pouparíamos a esforços. Se é assim se eles estivessem doentes, muito mais solícitos deveriamos ser pelas almas em purificação. Já para não falar que a caridade cristã nos devrá impelir a sentimentos semelhantes por qualquer dos nossos irmãos em Cristo, mesmo aqueles que não conhecemos e que possam estar muito desamparados.


Em fim, é importante considerar o estado destas almas que, não podendo satisfazer por si mesmas as penas temporais dos seus pecados, só podem contar com a nossa caridade para abreviar o tempo da sua purificação.


REQUIEM


Para socorrê-las, a Igreja propõe-nos nestes dias diversos meios. Em primeiro lugar, a piedosa assistência às Missas em sufrágio das almas do Purgatório. O Santo Sacrifício da Missa é o mais poderoso socorro que lhes podemos oferecer.


No rito tradicional, a Liturgia dá a possibilidade aos sacerdotes de rezarem três Missas de Requiem no dia de fiéis defuntos, cada uma com características próprias. Esta prática foi especialmente associada à concessão de Bento XV, em 1915, que autorizou os sacerdotes a celebrar três Missas nesse dia, num contexto marcado pelas inúmeras mortes da Primeira Guerra Mundial.


A Missa de Requiem é uma Missa oferecida especificamente em sufrágio das almas do Purgatório. Desde os inconfundíveis paramentos pretos, às orações, até aos cânticos e às leituras, tudo o rito desta missa procura exprimir a realidade da morte, a esperança da ressurreição e a necessidade da misericórdia divina. Não se procura fazer uma homenagem à memória de quem morreu, mas sobretudo um acto de caridade sobrenatural: a Igreja intercede por aqueles que partiram desta vida, pedindo a Deus que lhes conceda o perdão dos pecados e o eterno descanso. A existência de uma Missa própria para os defuntos manifesta precisamente esta fé: a morte não rompe a comunhão dos santos, e os vivos podem ajudar espiritualmente os falecidos através da oração e, de modo eminente, do Santo Sacrifício da Missa.


INDULGÊNCIAS


Além disso, a Igreja enriquece de forma especial nestes dias, as nossas orações e sacrifícios por elas, em particular, concedendo indulgência plenária (aplicada somente às almas do purgatório) a quem:


• Visitar devotamente um cemitério e rezar, mesmo que só mentalmente, pelos defuntos. Esta indulgência será plenária, cada dia, de 1 a 8 de novembro; nos outros dias do ano é parcial.


• No dia da comemoração de todos os fiéis defuntos (2 de Novembro) visitar piedosamente uma igreja ou oratório, rezando, pelo menos, um Pai-nosso e o Credo pelas almas do purgatório.


Como em qualquer Indulgência plenária, é preciso, para além da repulsa de todo pecado, mesmo venial, que o fiel cumpra as 3 condições habituais. São elas:


1. confissão sacramental 

2. comunhão eucarística;

3. oração pelas intenções do Sumo Pontífice (Pai-nosso e uma Ave-Maria por Indulgência).


As condições podem cumprir-se uns dias antes ou depois da data marcada, mas convém que a comunhão e a oração pelas intenções do Sumo Pontífice se realizem no dia enriquecido pela indulgência. Só é possível ganhar uma indulgência plenária por dia.


Com uma só confissão sacramental podem ganhar-se várias indulgências plenárias; mas, com uma só comunhão eucarística e uma oração pelas intenções do Sumo Pontífice, só se ganha uma indulgência plenária.


Mesmo que não cheguemos a conseguir cumprir todos os requisitos para a Indulgência Plenária, o nosso socorro pode chegar às almas como indulgência parcial. Mas cada indulgência desses dias deve ser aplicada em intenção de uma alma do purgatório concreta, ainda que seja “por aquela que mais precisa de Vossa misericórdia”, e não simplesmente “pelas almas do purgatório”.


“Ao entrarmos no Céu, veremos muitas dessas almas a virem ao nosso encontro para

nos agradecer. Perguntaremos quem são, e elas responderão: Uma pobre alma que

estava no Purgatório e por quem rezastes.”  

- Beato Arcebispo Fulton J. Sheen -


Que a esperança de um dia nos encontrarmos com estas benditas almas nos encha de ânimo para praticarmos a caridade para com os nossos irmãos que sofrem no fogo purificador do Purgatório! Estejamos seguros de que, chegados ao Céu, eles saberão mostrar-nos o seu reconhecimento!

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