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Quando os sábios chegam ao fim da sua sabedoria

A infância espiritual como caminho de santidade

«Quando os sábios chegam ao fim da sua sabedoria, convém escutar as crianças», dizia Georges Bernanos. Esta frase não poderia ser mais atual. Neste mundo que julga saber tudo, mas que ignora ter chegado ao fim da sua sabedoria, convém escutar as crianças. Neste contexto da visita do Santo Padre a França, gostaria de vos fazer escutar hoje a criança mais sábia que França deu ao mundo: Santa Teresa do Menino Jesus.


«Uma vez saídos da infância, é preciso sofrer durante muito tempo para nela voltar a entrar, tal como, ao longo da noite, se reencontra uma outra aurora», dizia ainda Bernanos. O segredo de Teresa é que ela permaneceu criança durante toda a sua vida.


Poderíamos perguntar, com toda a razão, por que motivo o Senhor deu tanta importância às crianças. Por que razão é preciso tornar-se criança para entrar no Reino dos Céus? Não será bom ser adulto na fé, como nos recorda o sacramento da Confirmação? Não devemos nós crescer na vida material e espiritual, para nos tornarmos, finalmente, adultos maduros, fortes e responsáveis?


É evidente que tudo isso é bom; a infância espiritual não é um espírito infantil. Trata-se de reproduzir nas nossas almas aquilo que há de bom numa criança, pois os pais sabem melhor do que eu que as crianças nem sempre são os seres mais agradáveis, mas, ainda assim, amamo-las.


Ora, a infância é humildade, confiança, simplicidade. Poderíamos dizer que a infância espiritual é um sinónimo de santidade. Se não vos tornardes como uma pequena criança, não entrareis no Reino dos Céus!


A criança é humilde porque sabe que é dependente. Para ela, depender dos pais não é um problema! É normal! É até uma alegria. Sem os pais, a criança nada pode e sabe que nada pode. Sem eles, morre de fome e de sede, não aprende a falar, a ler, a escrever. Mas que liberdade existe nesta dependência! É na adolescência que o nosso espírito cansado e rebelde se manifesta, reclamando a sua independência. Mas vejamos: precisamente, não será o pecado uma independência em relação a Deus?


Estamos demasiado apegados a uma falsa independência, movidos pelo desejo de controlar tudo. Descobrimos rapidamente que esse desejo de independência apenas nos torna mais dependentes, mas desta vez não dependentes de Deus, e sim dos nossos caprichos, dos nossos maus desejos; em suma, dependentes do pecado. Aprendamos, portanto, com as crianças, a alegria da dependência, sobretudo da dependência de Deus. A humildade está aí: nessa soberana liberdade que consiste em reconhecer Deus como Senhor da minha vida.


Esta dependência é fácil para as crianças porque elas sabem confiar. Ouvimos muitas vezes da boca das crianças frases que testemunham uma bela confiança ingénua: «O meu pai tem mais de dois metros!»; «O meu pai é mais forte do que o teu!» Elas têm uma confiança sem limites nos seus pais. A criança espiritual é, portanto, alguém que tem uma confiança absoluta e serena em Deus. Sabe que Deus é seu Pai e que, de facto, Ele é o mais forte dos pais. Nada lhe poderá faltar.


As crianças podem ser barulhentas, cansativas, cheias de energia, mas são simples. Na escola não existem problemas de adultos; por isso, tudo é simples. A criança não complica a vida, não procura desculpas, é simples!


Esta história de Santa Teresa, que provavelmente é a que melhor resume a sua doutrina espiritual, pode ilustrar bem o nosso propósito:


«Faz-me pensar na criança pequenina que começa a pôr-se de pé, mas ainda não sabe andar. Querendo absolutamente chegar ao alto de uma escada para encontrar a sua mãe, levanta o seu pequeno pé para subir o primeiro degrau. Esforço inútil! Cai sempre de novo, sem conseguir avançar. Pois bem, consinta em ser essa criança pequenina; pela prática de todas as virtudes, levante sempre o seu pequeno pé para subir a escada da santidade. Nem sequer conseguirá subir o primeiro degrau, mas o bom Deus não lhe pede senão boa vontade. Do alto dessa escada, Ele olha para si com amor. Em breve, vencido pelos seus esforços inúteis, descerá Ele próprio e, tomando-a nos seus braços, levá-la-á para sempre para o seu Reino, onde nunca mais O deixará. Mas, se deixar de levantar o seu pequeno pé, Ele deixá-la-á por muito tempo na terra.»


Eis aqui o nosso caminho de santificação. Tentaremos mil vezes pôr em prática um programa rigoroso de ascese que não funcionará. Mas não faz mal: o bom Deus contenta-se com a nossa boa vontade. É preciso levantar o pé para tentar avançar. Mas um dia Ele virá, como aquela mãe, e far-nos-á subir tudo de uma só vez.


O segredo para que isso funcione? Uma alma de criança, humilde, simples e confiante até ao fim. Uma alma que não desespera perante a sua própria miséria, nem perante a miséria dos outros.


Aproveitemos a festa litúrgica de Santa Teresinha que celebramos dentro de uma semana para pedir-lhe que faça descer do Céu a famosa chuva de rosas que prometeu. Sobretudo, peçamos-lhe a graça da infância espiritual.

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