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A Igreja, Casa de Deus – Altar e objetos litúrgicos

Uma introdução ao simbolismo do altar e dos objectos utilizados na Santa Missa

O altar, que comporta sempre uma parte em pedra, remete-nos directamente para o rito sacrificial do Antigo Testamento. É o lugar mais elevado do coro, ponto de encontro entre o Céu e a Terra, como o foram o Sinai, o Tabor e tantas montanhas bíblicas, até ao Gólgota. O altar está coberto por três toalhas — número trinitário — que recordam os panos fúnebres que envolveram o corpo de Cristo no sepulcro. Há também uma razão prática: as três toalhas permitiriam absorver o Preciosíssimo Sangue, se por desgraça o cálice se entornasse. Ungido com o santo crisma, óleo consagrado pelo bispo no decurso de uma cerimónia grandiosa, o altar torna-se um lugar à parte.


Em sinal desta consagração, cinco cruzes marcam a pedra de ara nos quatro ângulos e no centro, recordando as cinco chagas de Jesus Cristo; pois o altar é Cristo. No centro desta pedra encontra-se o que se chama um sepulcro, onde o bispo selou as relíquias de um ou de vários mártires, muitas vezes anónimos, com três grãos de incenso que simbolizam o louvor perpétuo que eles elevam a Deus. De cada vez que o sacerdote beija o altar durante a Missa, venera as relíquias destes santos que deram a vida pelo Senhor.


Nas catacumbas celebrava-se precisamente a Missa sobre os sepulcros dos mártires, no dia aniversário da sua entrada no Céu. Foi assim que começaram as festas dos santos no calendário. Depois, as basílicas foram construídas sobre os seus túmulos. Assim, oferece-se o sacrifício sobre os sacrificados. 


Mas o altar representa sobretudo o próprio Cristo: o Senhor, a pedra angular,a pedra de fundação da Igreja. É por isso que é ungido com o santo crisma na sua consagração, e é principalmente por esta razão que o sacerdote beija o altar, unindo-se assim a Cristo antes de se voltar para os fiéis e de lhes dizer: Dominus vobiscum - o Senhor esteja convosco. É também por isso que o altar receberá, na incensação, as honras devidas a Deus, porque Cristo é Deus.


No centro do altar, o crucifixo — que traz necessariamente a imagem de Cristo na Cruz

— torna-se obrigatório a partir do século XI. Exprime o vínculo indissolúvel entre a Missa e a cruz, omnipresente na liturgia, impressa sobre os panos, os livros, a hóstia; o próprio sacerdote faz mais de cinquenta sinais da cruz durante a Missa. Os seis castiçais que rodeiam o crucifixo eram outrora sete — número da perfeição —, evocando os sete candelabros de ouro que rodeiam o Filho do Homem no Apocalipse. Enquadravam o pontífice em procissão, antes de serem colocados por detrás do altar. Aquele do centro, situado por detrás da cruz, está hoje reservado ao bispo que celebra na sua diocese, aos cardeais e ao Papa.


Colocam-se sobre o altar as “sacras”, onde estão impressas as orações que o sacerdote deve poder dizer sem olhar para o missal. No missal, justamente, reúnem-se todas as orações do ordinário e do próprio da Missa. Ele receberá as honras litúrgicas, pois, contendo os textos sagrados da Escritura, é identificado com Cristo, a Palavra de Deus. O missal de altar é integralmente em latim. Nele se encontram os textos lidos durante a liturgia, impressos a negro, entremeados das indicações para os gestos e cerimónias a cumprir, impressas a vermelho, a que se chama as rubricas.


À direita do coro encontra-se, por fim, a credência, sobre a qual se colocam todos os objectos que servirão ao serviço do altar: as galhetas com a água e o vinho para o sacrifício; a bacia ou lavabo para lavar as mãos do sacerdote; o manustérgio para as enxugar; a campainha e a bandeja da comunhão. O coro está agora disposto para a celebração da Missa. Para celebrar a Missa o sacerdote entra na sacristia para se paramentar. Segui-lo-emos no próximo artigo.

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