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O diaconado

O diaconado na Igreja: serviço ao altar, à Palavra e à caridade

Prostação durante a ordenação diaconal
Os sete homens dos Actos dos Apóstolos.


O sacramento da Ordem toma o seu nome pelo facto de ser composto por vários graus. Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, exerce os seus poderes sagrados sobre o seu corpo místico, a Igreja, "tão variada na diversidade dos dons celestes... tão estreitamente unida por uma organização maravilhosa... que cresce e se expande até formar o Vosso templo" como podemos ler no Pontifical Romano. Uma escada de sucessivos degraus ascende desde o simples clericatura até à plenitude da graça e dos poderes sagrados, o sacerdócio. Hoje falaremos do penúltimo grau, o diaconado:


Então os Doze reuniram a multidão dos discípulos e disseram-lhes: “... Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais confiaremos este cargo" (Actos 6,2-3).


Quem são estes homens?

A Tradição da Igreja chama-lhes diáconos, do grego diaconoi, que significa servos. Na ordenação diaconal, o candidato recebe o carácter indelével que o configura especificamente à pessoa de Cristo, que se fez diácono, isto é, servo de todos: aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo (Fil 2,7). O seu novo ser chama-o, acima de tudo, ao altar do santo sacrifício: o diácono segura o cálice com o sacerdote e oferece-o com ele a Deus, depois de ter derramado o vinho e oferecido o pão com ele. Torna-se “o ministro do Sangue”, segundo a expressão de São João Paulo II. Inteiramente consagrado a Deus, o diácono já não pertence a si próprio. Vivendo da oração da Igreja e em perfeita castidade, mantém o seu coração livre e desimpedido para trabalhar na vinha do Senhor.


O que é este cargo?


O ministério do diácono caracteriza-se pelo exercício dos tria munera próprios do ministério ordenado, mas segundo a especificidade da diaconia, ou seja, o serviço do bispo e dos presbíteros no campo do ensino, da santificação e da direção das almas.


1 - Santificar. O ministério diaconal começa e termina na Eucaristia. A monição episcopal da ordenação insiste neste facto: “Recebeis o nome e as funções dos levitas... tribo especialmente dedicada e perpetuamente consagrada ao serviço do tabernáculo e dos sacrifícios” (Pontifical Romano). O seu serviço é duplo: por um lado, através da administração do Batismo, os diáconos apresentam ao Senhor um povo de sacerdotes; por outro lado, tornam o povo de Deus participante do sacrifício pela sua assistência específica ao sacerdote no altar e pela distribuição da Sagrada Comunhão.


2 - Ensino. Como é que podemos acreditar nele se não ouvimos falar dele? E como podemos ouvir falar dele se não há pregadores? E como pode haver pregadores se não forem enviados? (Rm 10,14-15). O carácter recebido encarrega o diácono de pregar o Evangelho em nome do próprio Cristo. A Igreja envia os seus diáconos para pregar e explicar a doutrina que permite aos fiéis oferecerem-se a Deus. De facto, Deus é melhor honrado pela compreensão dos mistérios divinos.


3 - Governar. Para o diácono, o poder de governo exerce-se através da dedicação às obras de caridade na distribuição dos tesouros da Igreja. Em Actos 6,2, encontramos a expressão “servir às mesas” referindo-se às funções atribuídas aos diáconos. Uma das mesas era a do pão material; desde o início do cristianismo, os diáconos cuidavam dos pobres, dos doentes, protegiam as crianças e as viúvas, imitando a vida pública de Jesus. No entanto, o ministério diaconal não pode ser reduzido a um mero serviço social. Outra é a mesa do Pão celeste. O diácono é chamado pelos próprios apóstolos a ser o distribuidor do maior tesouro da Igreja, o corpo e o sangue do Senhor.


Santo Estêvão, modelo dos diáconos


A liturgia da ordenação dos diáconos apresenta-lhes como líder e modelo o proto-mártir Estêvão, que foi escolhido pelos Apóstolos para este ofício por causa da sua extraordinária castidade, pois o Senhor ordena “Sede puros, vós que levais os vasos do Senhor”. É através desta castidade e liberdade interior que o servo de Jesus encontra a coragem de defender a Igreja no combate pela virtude, pela pregação e pelo bom exemplo, prossegue a monição do Pontífice na ordenação. Um diácono que tem o Evangelho nas mãos e o leva no coração não deve ter nada a temer, segundo as palavras de Paulo, que viu com os seus próprios olhos o martírio glorioso de Estêvão: Tudo posso naquele que me fortalece (Fil 4,13). A estola que agora usa ao ombro marca esta força e generosidade de quem toma a sua cruz e segue o Senhor.


No entanto, não devemos esquecer que o servo não é maior do que o senhor (Jo 15,20). O diácono é o ministro do Sangue, assim testemunha que quer ser mártir com Jesus, que está pronto a derramar o seu sangue pelo seu Mestre, que deseja apaixonadamente beber o seu cálice. Tal é a dignidade e a responsabilidade do diaconado! Peçamos, pois, ao Senhor que chame servos em abundância para a sua Igreja.


Santo Estêvão, rogai por nós.

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