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A Santa Liturgia

Compreender a Liturgia para melhor participar nela

Introducção


As celebrações litúrgicas da Igreja não são um simples convívio humano e horizontal. O grande princípio a ter em mente para nos abrir a inteligência e o coração à riqueza da liturgia é a noção de verticalidade: a Liturgia deve ser teocêntrica, deve elevar as nossas almas para Deus. A liturgia da Igreja é uma escola de oração e para aprendermos dela temos de ser humildes e dóceis.


Definição


Mas o que é a Liturgia [1]? A santa liturgia é o culto público prestado pelo nosso Redentor Jesus Cristo, como Chefe da Igreja, ao seu Pai; é também o culto prestado pela sociedade dos fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo e, através dele, ao Pai Eterno.[2] Os fins da Liturgia são: pedir, agradecer, adorar e expiar. Pedir o que precisamos a Deus; dar graças a Deus pelos dons que recebemos; adorar a Deus que é o nosso Criador e Senhor reconhecendo a nossa dependência em relação a Ele; expiar os nossos pecados pedindo perdão e associando-nos à Cruz de Jesus unindo os nossos sacrifícios ao sacrifício de Cristo.


Cristo no centro da Liturgia


Jesus é o mediador entre Deus e os homens, Jesus encarnou para nos salvar, para nos levar para o Pai, para a felicidade eterna do Céu. Sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Jesus faz a “ponte perfeita” entre Deus e os homens. Deus desceu até nós para nos fazer subir até Ele. Eis a lógica vertical da liturgia: o homem presta um culto a Deus unindo-se ao Sacrifício de Amor do seu Filho muito amado (sentido ascendente) e Deus faz descer sobre nós as graças obtidas por esse mesmo Sacrifício de Amor (sentido descendente). É por isso que dizemos que a Missa liga o Céu à Terra. Através da liturgia da Igreja entramos em contacto com Cristo que nos salva e nos leva para o Pai.


A Liturgia deve manifestar a Fé


A glória da liturgia - desde a beleza das nossas igrejas, do ciclo litúrgico, da arte sacra, da música sacra, dos paramentos e dos objectos litúrgicos, até à magnificência e expressividade dos ritos sagrados (os gestos, as orações e o silêncio) - aponta para a natureza transcendental de Deus e ensina-nos a glorificá-Lo como convém. Para a nossa formação litúrgica é importante estudar e conhecer os vários ritos e as suas significações espirituais. Normalmente, a nossa participação na liturgia é mais atenta se tivermos um missal para seguir as orações e os ritos.


A liturgia é o culto de Deus e é preciso que esse culto seja verdadeiro, que ele corresponda à realidade objectiva daquilo que Deus é: Deus é o Ser Infinito e Perfeito, Sobrenatural e Transcendente, Deus é Sagrado. Como poderemos nós oferecer aos nossos contemporâneos o gosto pela verdadeira religião e mostrar-lhes o caminho do Céu se o nosso culto não manifestar suficientemente, pelos seus gestos, silêncios e orações a grandeza de Deus e o papel do homem diante do Criador? A liturgia deve ser uma expressão da nossa Fé e a nossa Fé deve ser sustentada pela liturgia. A Fé é a regra da liturgia.


Culto interior e culto exterior


É verdade que o culto de Deus é principalmente um culto interior e espiritual, uma relação íntima com Deus (que é puro espírito), mas o culto religioso não se pode limitar a isso. O homem não é um anjo, tem um corpo e uma alma. O homem precisa de exprimir a atitude interior da devoção e da oração através de actos exteriores, concretos e sensíveis. Contra a tentação de uma religião que esquece a dimensão corporal do homem a liturgia católica dá um grande papel ao corpo, através dos ritos, gestos e acções sensíveis, a liturgia da Igreja ensina-nos a glorificar a Deus com todo o nosso ser (corpo e alma).


Para se unir a Deus o homem precisa de ser guiado pela sensibilidade, pois como diz São Paulo: «É através da criação que se manifesta ao olhar da inteligência o invisível mistério de Deus» (Rom 1,19-20). É esta a razão pela qual o culto de Deus requer necessariamente o uso de realidades sensíveis, que são sinais visíveis capazes de despertar na alma humana os actos espirituais que nos unem a Deus. A natureza exterior da Liturgia é conforme à natureza humana que se eleva progressivamente das coisas sensíveis até às realidades invisíveis da Fé (Santíssima Trindade, Encarnação Redentora, Presença Real de Cristo na Eucaristia, etc.).


Como é que podemos é que podemos participar na Liturgia? A expressão “participação activa dos fiéis na liturgia” vem do Papa São Pio X, infelizmente esta expressão tem vindo a ser distorcida, de tal maneira que actualmente perdeu totalmente o seu sentido inicial. A participação activa dos fiéis na liturgia não consiste na substituição do ministério dos padres pelo “ministério dos fiéis”. Participar activamente na liturgia consiste em unir-se a Deus através dos ritos da Igreja. Participação activa não significa activismo. O objectivo da liturgia não é fazer coisas é contemplar e unir-se ao Sacrífico de Cristo que glorifica Deus e nos salva! O objectivo da liturgia não é atarefar-se como Marta no Evangelho. Jesus diz que “Maria escolheu a melhor parte”, por isso uma só coisa é necessária: rezar [3].


Conclusão


A partir destes princípios percebemos que a religião [4] é uma virtude que consiste principalmente em actos interiores, mas precisa - de maneira secundária - de actos exteriores que guiem os actos interiores. É esta a força da liturgia católica, ela orienta-nos para Deus - para melhor o conhecer e amar - de tal maneira que a nossa contemplação dos mistérios da fé se torna mais saborosa e penetrante. É muito importante transmitir aos mais novos a significação dos gestos litúrgicos e a piedade e postura com que se deve realizá-los. Nunca estamos tão perto do Céu como quando estamos na Missa. A Liturgia da Terra deve imitar a Liturgia Celeste descrita por São João no capítulo 5 do livro do Apocalipse. A liturgia é, finalmente, uma escola de contemplação!


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Notas:


[1] A palavra “liturgia” vem do grego e significa “obra do povo” (laus = povo + ergon = obra), de maneira geral é o culto público prestado a Deus.


[2]Definição de liturgia dada pelo Papa Pio XII na encíclica Mediator Dei et Hominum, 1947.


[3] Definição da oração: a oração é uma elevação do espírito para Deus, para o adorar, para Lhe agradecer e para Lhe pedir aquilo que precisamos.


[4] A virtude moral de religião consiste em prestar a Deus o culto que lhe é devido, porque nós recebemos tudo de Deus e como criaturas racionais que somos devemos reconhecê-lo de maneira pública e exterior através de actos concretos: oração, adoração, devoção, sacrifício.

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