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Porquê oferecer os nossos sofrimentos a Deus? (III/III)

Parte III

Sacerdote verte uma gota de água, que representa a participação dos fiéis ao Sacrifício de Cristo

A IGREJA E A COMUNICAÇÃO DAS GRAÇAS


Para o homem contemporâneo a comunicação das graças na Igreja não deveria ser difícil de perceber. Na verdade, através da internet o homem moderno está sempre ligado às outras pessoas, pode comunicar à distância e enviar todo o tipo de ficheiros. Ora, aquilo que é possível ao homem, com a sua engenhosidade, é ainda mais fácil para Deus que é Omnipotente e Omnipresente. A toda a hora e instante há mensagens e chamadas a circular à nossa volta e no entanto nós não as vemos. As ondas electromagnéticas usadas para as telecomunicações não são visíveis aos nossos olhos e, no entanto, elas são bem reais. Além da rede virtual das telecomunicações, há também uma rede - igualmente invisível e igualmente real - de intercomunicação da graça. Essa rede de comunicação da graça faz parte da vida íntima e interior da Igreja. A Caridade cristã tem a mesma capacidade de difusão que os dados móveis.


A Igreja é uma sociedade visível, constituída por vários membros segundo uma hierarquia, mas a Igreja também é constituída por elementos invisíveis como a graça, as virtudes sobrenaturais (Fé, Esperança, Caridade, etc.), os dons do espírito Santo. A vida da graça põe-nos em relação com Cristo que é o princípio e o Chefe da Igreja, a Cabeça, como já dissemos. O Espírito Santo é a alma da Igreja, é o seu princípio vital e unificador. Para nos falar da Igreja que Ele próprio ia fundar, Cristo (que também nos falou através de São Paulo) utilizou várias imagens diferentes. Jesus descreveu a sua Igreja como: um corpo, uma vinha, uma família, um reino, uma pátria, um rebanho, um templo, uma casa, etc.


O nosso corpo físico é constituído por um conjunto de órgãos e membros que são animados por um mesmo princípio, a alma, cujas funções mais importantes se exercem na cabeça, que vê, que ouve, que dirige os outros membros e transmite um influxo vital nervoso a todo o organismo. Os diferentes órgãos formam um só corpo, porque são vivificados por uma só alma e porque estão vitalmente unidos a uma só cabeça.


Num corpo moral, ou seja, numa sociedade, como a família ou a Pátria (que é a Família das famílias), também há vários membros, animados pelo mesmo espírito de família ou pelo mesmo espírito nacional, reunidos sob a direcção de um chefe (que é a cabeça do corpo social). Na família, o pai, a mãe, os filhos, formam um conjunto cujas várias partes estão unidas por laços de sangue, de afecto, de objectivos comuns… os membros da família também estão unidos pela honra, pelos avós e os anciãos da família, pelo nome e pelas várias tradições familiares. Esses laços familiares são ao mesmo tempo os princípios vitais que animam todo o conjunto. A família é verdadeiramente um corpo moral, onde vivemos do carinho, da dedicação, das memórias e de tudo aquilo que nos une.


Devia ser a mesma coisa na Pátria, para com a qual nós estamos em divida por tudo aquilo que recebemos dela (a história, a cultura, os exemplos, a segurança, os recursos… que não surgiram do nada e são fruto de muitos séculos de esforço e vidas gastas pelo bem comum). Depois de Deus é aos pais e à Pátria que nós somos mais devedores. O verdadeiro patriotismo é uma virtude.


A Igreja constituiu um corpo muito superior ao corpo físico e ao corpo moral, porque reúne as almas e as pátrias para as introduzir no reino dos Céus. A Missão da Igreja é uma Missão sobrenatural. A este corpo que já fizemos uma alusão, chamamos o Corpo Místico. Porquê? Porque, na Igreja o princípio que anima tudo é essencialmente misterioso, infinitamente superior e infinitamente mais unificador que a alma do nosso corpo, ou que o espírito de uma família ou de uma Nação. A alma do Corpo Místico é o Espírito Santo santificador, que habita na alma dos justos e que exerce as suas funções através da Santa Humanidade de Cristo. O Espírito Santo é a fonte de todas as graças que se derramam nos nossos corações. O Espírito Santo difunde a graça santificante na Igreja por intermédio da Humanidade Santa do Salvador que é a Cabeça do Corpo Místico. Jesus têm em si a plenitude da graça para santificar toda a humanidade. Nós entramos na Igreja pelo baptismo, que ao aplicar-nos os méritos do Salvador, nos limpa do pecado original e faz de nós filhos de Deus.


No Corpo Místico há uma grande diversidade numa profunda unidade, e é precisamente isso que faz a sua belíssima harmonia. Os membros da Igreja estão e devem estar mais unidos que uma família ou uma Nação. Devem viver na unidade da Fé, da obediência à Hierarquia, da prática do mesmo culto (sobretudo unidos pela participação na Santa Missa e pela recepção da Eucaristia). Devem viver unidos na Caridade porque vivem do mesmo alimento: Jesus Cristo. Quanto mais estamos unidos a Cristo mais estamos unidos aos outros membros do seu Corpo Místico.


Uma das principais condições para o bom funcionamento de um corpo, é a união e solidariedade dos vários membros. No corpo humano cada órgão beneficia da actividade dos outros órgãos. O coração não poderia fazer circular o sangue se os pulmões não o renovassem através da respiração, e a própria respiração não seria possível se o coração parasse de bater. Se um órgão funciona bem, os outros também; pelo contrário se um órgão ou um membro está doente todo o corpo sofre. Esta interdependência dos membros também se verifica na família e na Pátria. A honra ou a desonra de um dos seus membros tem uma influência no conjunto inteiro para sua glória ou vergonha. Basta ver o apoio que recebe uma selecção de futebol ou a alegria dos pais cujo filho finalmente entrou para a Universidade.


A solidariedade que existe na Igreja entre os vários membros é ainda maior e mais profunda. A esta união chamamos a Comunhão dos Santos. A Comunhão dos Santos é uma misteriosa comunidade de vida e de bens, segundo a qual aquilo que faz e possuiu cada um dos membros tem uma influência sobre todos os outros (para o bem e para o mal, mas sobretudo para o bem). A graça da salvação que pertence a Cristo passa a ser um bem partilhado por todos os membros da Igreja. Através de Cristo as graças da Santíssima Trindade descem até nós e espalham-se pelos nossos corações (sobretudo através dos sacramentos), mas também é através de Cristo que as nossas orações e sacrifícios sobem até Deus para serem distribuídos segundo as nossas intenções e segundo a Sabedoria divina pelas almas que mais precisam - e que muitas vezes nós não sabemos quem são (embora seja sempre melhor rezar por alguém em particular, porque a nossa intenção é mais forte e a nossa oração mais fervorosa quando se concentra em alguém do que quando se dispersa no geral).


Pela Igreja estamos unidos aos Santos do Céu, às almas do Purgatório e a todos os membros da Igreja militante, aqui em baixo na Terra. Esta união serve para nos ajudar, mas às vezes o mal também faz os seus estragos na Igreja e é por isso que é preciso a reparação. É aqui que entra o sofrimento. O sofrimento oferecido generosamente a Deus para reparar o mal com o bem é essencial para a vida da Igreja. A vida consagrada das freiras e dos monges de clausura é uma vida de renúncia e oração, é uma vida heroica e muito perfeita. A vida religiosa é o pulmão da Igreja, sem o qual o resto dos membros não podem viver. Estas vocações que são muito misteriosas, são, no entanto, absolutamente vitais. Sem a vida contemplativa a vida activa da Igreja não teria nenhuma eficácia. Sem os pulmões o coração não pode bater. Podemos meditar no exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus que, afectada por uma tuberculose muito forte (que a levaria à morte), se levantava a meio da noite para caminhar – o que lhe custava horrores – para oferecer cada passo pelos missionários que no outro lado do mundo tinham muitas dificuldades em evangelizar certos povos. A verdade é que Santa Teresinha é Padroeira das Missões, embora tenha sido uma freira de clausura que nunca saiu do seu convento, eis a força da oração e da união do Corpo Místico de Cristo.


Agora percebemos melhor esta união mística entre os vários membros da Igreja. A unidade da Comunhão dos Santos baseia-se na Caridade. A Caridade é uma amizade com Deus que nos dá um direito a receber para nós e para as outras pessoas certos bens, certas graças, não em virtude de uma justiça no sentido estrito, mas em virtude da nossa amizade com Deus, porque convém que os amigos se ajudem uns aos outros. Ao direito a receber estas graças chamamos “mérito de amizade” (diferente do mérito de justiça, como o mérito do trabalhador a receber o seu salário, supondo que ele cumpriu a sua parte do contracto…). Os méritos que ganhamos pelas nossas orações e sacrifícios, sobretudo pelas nossas cruzes suportadas com amor, podem ser aplicados de maneira geral aos membros do corpo Místico ou de maneira particular dirigindo a nossa intenção para tal ou tal pessoa. Esses méritos podem mesmo beneficiar a pessoas que estão fora da Igreja, mas a quem Deus - cujo poder não se limita aos sacramentos e aos outros meios por Ele instituídos - pode tocar as almas e fazê-las entrar no Corpo Místico. A Igreja é um grande Mistério que deve ser contemplado com os olhos da Fé.


Depois de tantas considerações teóricas chegamos, finalmente, à última etapa: considerar a maneira concreta de nos unirmos ao Sacrifício de Cristo.


COMO OFERECER?


Nós podemos oferecer tudo a Deus, tanto a alegria como a tristeza. No entanto, o sofrimento humano - que não é a única matéria do nosso sacrifício – é a matéria privilegiada do sacrifício. Em primeiro lugar, porque o sofrimento é a consequência do pecado original e dos nossos pecados pessoais. Por isso, oferecer os nossos sofrimentos manifesta melhor a nossa vontade de querermos reparar os nossos pecados. Esse espírito de reparação deve animar o nosso espírito de sacrifício. Ao unirmos os nossos sofrimentos aos sofrimentos de Cristo manifestamos a nossa união à Paixão Redentora. Em segundo lugar, porque Cristo ofereceu um sacrifício doloroso de reparação pelos nossos pecados. A matéria do sacrifício de Cristo é o seu Corpo e o seu Sangue. A oblação dolorosa de Cristo deve provocar em nós o desejo de oferecer a Deus a nossa dor.


O mistério do mal (do sofrimento) não tem solução a não ser à luz do Mistério da Cruz. O Mistério da Cruz é um sinal eficaz do amor e da misericórdia de Deus. A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz, é na Missa que se realiza perfeitamente o encontro entre o mistério do sofrimento humano e o Mistério da Misericórdia divina. A consagração separada do Corpo e do Sangue significam sacramentalmente a separação do Corpo e do Sangue de Cristo na Cruz, ou seja, a morte de Cristo na Cruz que nos salva.


O Ofertório da Missa (momento da Missa mesmo antes da Consagração) é o momento da recapitulação da nossa oblação a Deus. No entanto, a nossa entrega deve ser vivida e preparada quotidianamente. O Ofertório convida-nos a viver cada momento da nossa vida numa atitude permanente de entrega a Deus; e os nossos sacrifícios do dia-a-dia fazem-nos tender a uma união cada vez mais intensa e mais íntima com Deus preparando o Ofertório da próxima Missa. A nossa condição humana é uma condição de dependência radical em relação a Deus e para vivermos unidos a Jesus no dia-a-dia é importante renovarmos constantemente a nossa entrega a Deus. Oferecer o nosso dia e todas as nossas actividades a Deus é reconhecer a nossa dependência em relação a Ele. A santidade consiste nessa união íntima com Deus, viver permanente na presença de Deus e fazer tudo para Sua maior glória e para a salvação das almas. Santa Teresa de Ávila dizia que “encontrava Deus entre as panelas e os tachos”.


O ofertório é verdadeiramente o momento durante o qual somos convidados a oferecer os sofrimentos que marcam a nossa existência. Cristo não veio abolir o sofrimento, nem veio explicá-lo: Cristo veio carregar sobre os seus ombros o sofrimento e assumi-lo plenamente na Cruz. Na Cruz, Cristo dá sentido ao Seu sofrimento e ao nosso, porque através do mistério da Cruz e do mistério da Missa, o nosso sofrimento pode tornar-se matéria para o nosso sacrifício, ou seja, uma ocasião para glorificarmos a Deus e nos unirmos a ele para encontrarmos a nossa verdadeira felicidade, a nossa salvação e a salvação dos outros. É neste sentido que devemos ler esta passagem de São Paulo já citada: “Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo, pelo seu Corpo que é a Igreja” (Col 1,24). Na verdade, objectivamente, não falta absolutamente nada aos sofrimentos de Cristo, porque o sacrifício de Cristo é perfeito e infinito. O que falta é que os Seus méritos nos sejam aplicados, hoje mesmo podemos receber os efeitos salutares da Cruz. Não falta nada ao sacrifício de Jesus em intensidade, mas falta em extensão: é preciso que os méritos de Cristo se espalhem pelo Seu Corpo que é a Igreja. Essa comunicação dos méritos de Cristo só se pode realizar através da união da nossa oblação à oblação pura do Filho de Deus na Cruz. Temos de nos unir livremente e pessoalmente à Cruz de Cristo.


O sofrimento é um mistério. Mas os homens são chamados, através dos sofrimentos e das dificuldades, a manifestar e a reconhecer o domínio total de Deus sobre as vicissitudes da vida. Assim, as dificuldades são ocasiões singulares para nos abandonarmos confiadamente à Divina Providência: ao fazermos isto convertemos os nossos sofrimentos em sacrifício agradável a Deus. À luz da Cruz o sofrimento adquire um novo sentido, o sofrimento passa a ser salutar, porque nos permite glorificar a Deus e encontrar a nossa verdadeira felicidade. Deus é a nossa felicidade! Pensemos em Nossa Senhora que, ao contrário da maior parte dos discípulos, permaneceu firme na Fé junto à Cruz, oferecendo a Deus a sua própria vida e a vida do seu próprio Filho.


O sofrimento para os budistas é algo do qual nos devemos alienar pela meditação; para os muçulmanos é a vontade de Deus e, portanto, temos simplesmente de nos resignar; para os protestantes e para judeus é um sinal de reprovação divina; mas para os católicos o sofrimento é um instrumento de salvação e glória, é uma ocasião para se unir a Deus, para glorificar a Deus e para salvar a sua alma e a dos outros. Jesus veio dar sentido ao sofrimento, eis um dos grandes tesouros da nossa Santa Religião. A Cruz de Cristo “santificou” o sofrimento humano. A morte e a dor não fazem medo aos santos.


“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). Entregar-se nas mãos do Pai é morrer, é morrer para si mesmo e entregar-se a Deus, é viver para Deus. Também nós queremos morrer com Cristo na Cruz. Queremos morrer para o nosso egoísmo, para o nosso orgulho, para a nossa vaidade, o nosso amor próprio, para os nossos juízos temerários e demasiado terrenos. Queremos morrer para nós próprios e para os nossos caprichos e viver segundo as máximas do Evangelho, segundo o mandamento do Amor. Jesus não veio dar uma resposta teórica ao sofrimento humano, Jesus veio assumir a nossa condição, ou seja, a nossa condição mortal e de sofrimento. Jesus não aboliu a nossa natureza, mas reparou-a de maneira mais admirável ainda do que a tinha criado. Pela nossa culpa introduzimos a dor e a morte no mundo. Jesus veio salvar a dor com o Amor. A sua resposta não é teórica, a sua resposta não é sequer uma palavra ou um discurso. A sua obra mais importante foi a acção silenciosa da Cruz. No entanto Jesus foi deixando algumas palavras, como que uma pista de migalhas, para que possamos associar-nos ao seu mistério redentor. Também nós pudemos transformar a nossa dor em alegria corredentora basta dizer: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” e assim abandonar-se nas mãos do Pai.


Da próxima vez que tivermos uma grande cruz para suportar podemos usar esta oração jaculatória que faziam os Pastorinhos de Fátima: “Ó Jesus é por vosso amor, pela conversão dos pecadores, pelas alminhas do Purgatório e em reparação dos pecados cometidos contra o Santíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria”. Outro conselho prático que pode ajudar é ter sempre connosco uma cruz no bolso e apertá-la sempre que for preciso cerrar os dentes e suportar, com amor, a dor.


CONCLUSÃO: “DOR SOFRIDA DOR OFERECIDA”


A melhor resposta ao horror do sofrimento não é um discurso abstracto, mas Cristo e Cristo na Cruz, que morreu por nós passando por dores indescritíveis. O amor de Cristo que se manifesta na Cruz convida-nos a nos juntarmos a Ele para glória de Deus e para a Salvação do mundo. Da dor os cristãos vão até ao Amor. Ao sentirmos a dor causada pelo sofrimento sentimos o quanto Cristo sofreu por nós e por isso sentimos o seu Amor imenso por nós. Cristo suportou a morte, e morte de Cruz, por nós. A Cruz é assim o símbolo cristão por excelência, mas é um símbolo ambivalente: por um lado lembra-nos os nossos pecados, que causaram os sofrimentos e a morte de Cristo, e isso entristece-nos, mas como dizia Santo Agostinho: “Chora os teus pecados, mas alegra-te da tua miséria, pois é nela que Deus exerce a sua Misericórdia”; por outro lado a Cruz é o símbolo da Vitória de Cristo sobre o mal, sobre o sofrimento e sobre a morte e por isso a Cruz é também a razão da nossa Alegria, porque depois do sofrimento e da morte vem a alegria da Ressurreição. Há sofrimentos cujo sentido não havemos de perceber aqui na Terra e que permanecerão velados para nós, mas vivemos na certeza de que tudo “tudo contribuiu para o bem daqueles que amam a Deus” e que um dia o sentido de todos os sofrimentos do mundo será revelado no Céu e aí havemos de glorificar a Deus que tudo governa com Sabedoria, Justiça e Misericórdia.


Padre Miguel Castelo Branco, FSSP

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