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Rezar em família

Conselhos práticos para rezar em família

A oração em família

O FUNDAMENTO: ORAÇÃO PESSOAL, ORAÇÃO MATRIMONIAL


A relação com Deus é pessoal antes de ser comunitária (“entra no teu quarto e, fechada a porta, ora a teu Pai” — Mt 6,6).


No entanto, o casal é o coração da família: coração humano e carnal, mas também coração espiritual. A oração da família está enraizada na oração do casal. O casamento é a imagem da união de Cristo e da Igreja, selada no Seu sacrifício, do qual a Missa é a renovação. Para que esta oração reine na família, a oração dos esposos funda-se numa participação comum na oração litúrgica, numa oração a dois que seja frequente e num perdão mútuo regular, confiado a Deus no sacramento da penitência.


A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO EM FAMÍLIA


“A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração. Fundada no sacramento do Matrimónio, é "a Igreja doméstica" na qual os filhos de Deus aprendem a orar "em Igreja" e a perseverar na oração. Particularmente para os filhos pequenos, a oração familiar quotidiana é o primeiro testemunho da memória viva da Igreja pacientemente despertada pelo Espírito Santo.”
(Catecismo da Igreja Católica, nº 2685)


ORAÇÃO EM FAMÍLIA E LITURGIA


A família é a célula base da sociedade cristã e humana. A sua oração comunitária deve ser um reflexo da oração da Igreja: assim, ela será para as crianças uma primeira educação no louvor a Deus pela participação no culto público e na Missa.


É preciso então realçar a continuidade entre os diferentes momentos de oração, ritualizando, sempre que possível, a oração familiar, de modo que ela esteja em harmonia com a oração da Igreja. Esta ligação pode ser feita de forma direta na oração em família através da leitura dos textos do dia, ou por uma introdução — no sábado à noite — aos textos da Missa do dia seguinte, ou ainda pela utilização de uma ou outra oração do Ofício Divino (Magnificat, cântico de Simeão, etc.).


Devemos, no entanto, guardar no contexto familiar uma verdadeira e bela liberdade nas formas de rezar: enquanto a Igreja reza no seu conjunto e exprime a sua adoração de forma comum, a família exprime, à sua maneira, a sua devoção e o seu amor por Nosso Senhor. Em alguns, a espiritualidade será mais monástica, ou mariana, ou inaciana... A maneira de rezar faz parte do património espiritual que forma a família.


COMO FAZER AS CRIANÇAS REZAR?


A criança tem uma necessidade do sobrenatural, e é preciso ajudá-la a desenvolver um amor espontâneo a Deus e a criar nela uma perseverança de alma nesta relação vital.


A educação cristã engloba dois aspetos: por um lado, os deveres do cristão, que resultam dos direitos de Deus sobre nós (Missa dominical e mandamentos da Igreja, oração quotidiana, caridade), e por outro lado, as generosidades pessoais de cada um (Missa diária e outros exercícios de compromisso religioso). Estes dois aspetos devem ser apresentados à criança de forma inteligente, a fim de despertar nela o gosto por esta comunicação com Deus.


Os dois obstáculos a evitar são, por um lado, o excesso e, por outro, a ausência de oração: os gostos formam-se por atos repetidos, mas realizados com medida, porque as práticas suplementares não são recomendáveis se não reforçam a atração pelo dever. É preciso propor, fazer desejar, mas sem forçar. O essencial da educação na oração é favorecer a integração do sobrenatural na vida da criança, até que isso se torne natural para ela.


CONSELHOS CONCRETOS PARA REZAR EM FAMÍLIA


  • O essencial passa pelo exemplo: as crianças serão marcadas e vão reter e reproduzir, pouco a pouco, as atitudes e os hábitos dos pais.

  • O lugar da oração é importante: um canto dedicado à oração, um “oratório”, que deve ser simples, mas também personalizado (uma imagem em recordação de uma peregrinação, velas com os nomes das crianças, estátuas dos santos padroeiros...).

  • O momento deve ser particularmente bem escolhido e, se possível, sempre o mesmo (antes da história da noite, depois da loiça, depois da lavagem dos dentes… segundo a organização da família).

  • A atitude também conta: sempre que possível, de joelhos, em atitude de adoração. Mãos juntas, olhar voltado para o canto de oração.

  • É preciso habituar as crianças a falar com Deus como com uma pessoa, dando-lhes os reflexos de uma verdadeira oração (adorar, agradecer, pedir, pedir perdão, oferecer, fazer um ou mais propósitos).

  • A oração da noite é um momento de alegria comum, de partilha dos problemas e das ansiedades de cada um, que se confiam a Deus e à oração dos outros, e também um momento de perdão mútuo. Mostrar às crianças o exemplo desta simplicidade ajudará a oração a reinar em toda a vida da família.

  • Desde a mais tenra idade, devem favorecer-se gestos concretos: sinal da cruz, mãos juntas, tocar ou beijar uma imagem, acender ou apagar uma vela… A “liturgia doméstica” prepara a liturgia da Igreja.

  • Não se deve negligenciar a importância do canto: melodias simples e frequentemente repetidas, que se vão impregnar nas crianças (Ave-Maria, Salve Regina).

  • Cada família pode assim desenvolver os seus próprios rituais com o decorrer do tempo: ladainha dos santos da família, dezena do terço rezada pelas crianças, intenções particulares repetidas todas as noites (pelos pais, pelos avós, pelos doentes, pelos prisioneiros, pelas almas do purgatório...).

  • É importante habituar a criança, através da oração em família, ao esquema da oração (adorar, agradecer, pedir, pedir perdão, oferecer, fazer um ou mais propósitos) ou, ainda mais simples: “Bom dia, obrigado, desculpa, por favor.”


Não se pode esperar que a criança chegue à idade da razão, nem mesmo que aprenda a falar, para começar a rezar com ela: pode-se começar a rezar desde o início da gravidez, e isso torna-se uma necessidade absoluta a partir do dia do baptismo, pois ela torna-se filha de Deus como nós.


E SOBRETUDO: PERSEVERAR


A primeira educação para a oração é a regularidade: como para nós mesmos, é preciso, às vezes, aceitar fazer pouco, de forma pobre, mas fazê-lo sempre com regularidade.


O primeiro obstáculo encontra-se, por vezes, nos pais: para além da fragilidade da sua piedade, pode também existir um desencorajamento devido à dificuldade em conservar nas crianças uma atitude que consideramos digna, ou porque a oração calha sempre num mau momento do dia, ou ainda porque coincide com o regresso do trabalho, momento em que procuramos relaxar em vez de “fazer de polícia religiosa”.


É preciso ter consciência de que a criança tende à imitação, mas começa normalmente pela oposição (ela diz "não" antes de dizer "sim"!). Aquilo que construímos pela regularidade e pela docilidade dará frutos, apesar dos sinais que ao início parecem ser contrários.


Nunca abandonar: a criança apercebe-se de que aquele momento de família não gira à volta dela, e então procurará chamar a atenção pela sua atitude. No entanto, é à volta de uma Pessoa que ela aprenderá a reconhecer e a amar a presença: Jesus.


É preciso compreender que as crianças são normalmente visuais e sensíveis ao toque e aos gestos antes de serem auditivas e intelectuais: a oração deve envolver todas as dimensões do seu ser.


A criança tem necessidade de tocar, mexer: é preciso tentar utilizar isso para orientá-la para a oração, deixando-a fazê-lo desde que não prejudique o conjunto.


Assim, a oração em família é uma educação que exige tempo, e os principais frutos vêm depois de uma perseverança dócil. Não se deve hesitar em mostrar indulgência perante as atitudes mais difíceis de alguns, segundo o seu carácter, mantendo simultaneamente regras estáveis.


O importante é evitar a “guerra”. Não se deve associar a oração em família a más recordações ou a punições; pelo contrário, ela deve permanecer como um momento de alegria, de beleza, de repouso em Deus, de confiança e de perdão.


Na adolescência, é importante cuidar especialmente da vida espiritual das crianças, sustentando-a e fazendo crescer o seu fervor com as adaptações necessárias. Esta educação cristã passa por uma formação religiosa mais desenvolvida e mais pessoal. Ela enriquecer-se-á graças a intermediários exteriores eficazes: amizades sólidas, leituras espirituais adaptadas, direção espiritual, etc.


Quando os filhos se tornam adultos, os respeitos humanos impedem frequentemente que a oração continue a ritmar a vida familiar e a fé, infelizmente, corre o risco de enfraquecer.


Para que toda a família permaneça firmemente unida a Cristo e sempre unida pela caridade, independentemente das idades dos filhos e mesmo depois da sua saída de casa, é necessário conservar sempre o hábito de rezar juntos muito regularmente. Cada casa é uma “pequena Igreja” doméstica sempre viva, para louvor e glória de Deus.





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